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Chinês 9 de outubro de 2026 7 min de leitura

Mandarim é a língua mais difícil do mundo e o que é mais fácil que inglês

Descubra se o mandarim é mesmo a língua mais difícil do mundo e como se compara ao inglês no aprendizado para brasileiros.

Silhueta de uma pessoa ao longe, ouvindo atentamente em um campo aberto durante o pôr do sol
Neste texto
  1. Por que o mandarim é tão difícil para brasileiros
  2. O que é mais difícil que o inglês para brasileiros
  3. O que é mais fácil que o inglês para brasileiros
  4. Como o inglês se compara ao mandarim na prática

É comum ouvir que o mandarim é a língua mais difícil do mundo. Mas será que essa afirmação se sustenta? Para um brasileiro, o desafio não é só a pronúncia ou os tons, mas um sistema inteiro que parece desconectado do que já conhecemos. Enquanto isso, o inglês, apesar de parecer difícil, está mais perto do que imagina.

Este artigo mostra por que o mandarim exige um salto maior que o inglês e o que, na verdade, é mais simples que o idioma inglês para quem fala português.

Por que o mandarim é tão difícil para brasileiros

Um aluno de São Paulo começou a estudar mandarim por curiosidade. Nas primeiras semanas, percebeu que não conseguia repetir palavras simples como "mā" (cavalo) sem errar o tom. No mandarim, um erro de entonação muda completamente o significado: "mā" (cavalo), "má" (cânhamo), "mǎ" (cachorro) e "mà" (repreender) soam iguais, mas os tons diferem. Isso exige ouvido treinado e prática constante.

A escrita é outro desafio. Não há alfabeto, mas milhares de caracteres. Um jornal em chinês usa cerca de 3 mil hanzi, e um falante comum precisa dominar pelo menos 2 mil para ler com fluência. Para um brasileiro, isso é como começar do zero em gramática, som e escrita ao mesmo tempo.

O sistema tonal do mandarim tem quatro tons principais e um neutro. Cada um altera o significado da sílaba. Isso não existe no português, então o cérebro precisa aprender a ouvir e reproduzir padrões sonoros completamente novos. A escrita, por sua vez, não segue regras fonéticas.

O caractere "水" (shuǐ) significa "água", mas não dá pistas de como se pronuncia. Cada caractere é uma imagem com significado próprio, e muitos se combinam para formar palavras. Um aluno precisa memorizar não só a forma, mas o som e o tom.

Isso exige repetição e paciência, algo que não acontece com idiomas alfabéticos como o espanhol ou o francês.

O distanciamento linguístico é o maior obstáculo. O português vem do latim, enquanto o mandarim pertence à família sino-tibetana. Não há raízes comuns, poucas palavras emprestadas e estrutura gramatical diferente. Um brasileiro que aprende inglês reconhece raízes latinas em palavras como "nation" ou "important".

No mandarim, isso não acontece. O resultado é um aprendizado lento, que exige mais tempo e imersão. O Foreign Service Institute (FSI) dos Estados Unidos estima que um adulto precise de cerca de 2.200 horas para alcançar proficiência em mandarim. Isso é três vezes mais que o necessário para o espanhol ou o francês.

Poça natural de água clara cercada por pedras lisas e musgo úmido, sob luz do sol do meio-dia

O que é mais difícil que o inglês para brasileiros

Para um falante de português, o inglês tem desafios, mas também vantagens. Palavras como "computador", "telefone" e "internet" são parecidas ou iguais. A gramática tem exceções, mas é mais simples que a do português em muitos aspectos. Já o mandarim, o árabe, o japonês e o coreano estão em outro patamar.

O FSI classifica essas línguas no grupo mais difícil, com estimativa de 2.200 horas de estudo para proficiência. O inglês, por outro lado, está no grupo intermediário, com cerca de 750 horas para quem fala português.

O árabe apresenta alfabeto diferente, escrita da direita para a esquerda e sons que não existem no português, como o "ع" (ain). Além disso, a língua falada varia muito entre países. Um egípcio e um saudita podem ter dificuldade de entender um ao outro. O japonês tem três sistemas de escrita: hiragana, katakana e kanji.

Os kanji vêm do chinês e são tão complexos quanto os hanzi. O coreano tem alfabeto próprio (hangul), mas a gramática é aglutinante e a estrutura da frase é diferente. Todos exigem mais tempo e imersão que o inglês.

Um estudante de Brasília que aprendeu japonês contou que levou seis meses só para dominar o hiragana e o katakana. Depois, começou a estudar kanji, e cada novo caractere exigia memorização visual e sonora. O mesmo acontece com o árabe: um aluno precisa aprender a escrever de forma cursiva, sem maiúsculas, e adaptar-se a sons guturais.

O inglês, mesmo com suas irregularidades, não exige esse tipo de reconstrução mental. Isso não quer dizer que o inglês seja fácil, mas que o esforço necessário é menor quando comparado a idiomas com estrutura, escrita e sons tão distantes.

O que é mais fácil que o inglês para brasileiros

Se o inglês é um degrau acima do português, há idiomas que estão ainda mais perto. O espanhol é o exemplo mais claro. Palavras como "casa", "tempo" e "família" são quase idênticas. A gramática tem semelhanças fortes, como conjugações regulares e gênero de palavras.

Um brasileiro que já entende português escrito consegue ler um texto em espanhol com pouco esforço. O italiano e o francês também estão próximos, especialmente no vocabulário. Um aluno do Rio de Janeiro aprendeu italiano em oito meses só com prática diária e acesso a filmes e músicas.

O português e o espanhol compartilham raízes latinas e muitas palavras em comum. Isso facilita o reconhecimento e a memorização. O italiano tem pronúncia mais regular que o português, o que ajuda na fala. O francês tem sons diferentes, mas a escrita é parecida com a do português em muitos casos.

Um estudante de Belo Horizonte que aprendeu francês disse que a maior dificuldade foi o sotaque, mas que o vocabulário ajudou muito. O FSI coloca o espanhol, o francês e o italiano no grupo mais fácil, com cerca de 700 horas de estudo para proficiência.

Além dos românicos, o catalão e o galiciano também são acessíveis para brasileiros. O catalão é falado na Espanha e tem estrutura parecida com o espanhol e o português. O galiciano, do noroeste da Espanha, é tão parecido com o português que muitos brasileiros entendem sem estudar.

Um viajante de Porto Alegre contou que, ao visitar a Galícia, conseguiu pedir comida e perguntar o caminho só com atenção e contexto. Isso mostra que, mesmo sem estudo formal, a proximidade linguística abre portas. O inglês exige mais adaptação que esses idiomas, mas menos que o mandarim ou o árabe.

Vista de uma rua de paralelepípedos à noite, vista por uma porta entreaberta, com luz quente e vapor saindo perto do meio-fio

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Como o inglês se compara ao mandarim na prática

Imagine dois brasileiros começando do zero: um estuda inglês, o outro estuda mandarim. Em seis meses, o primeiro consegue entender músicas, ler notícias simples e fazer perguntas básicas. O segundo ainda está aprendendo tons e os primeiros 200 caracteres. A diferença não está no esforço, mas na estrutura dos idiomas.

O inglês compartilha vocabulário com o português, tem alfabeto conhecido e pronúncia previsível em muitos casos. O mandarim exige que o aluno aprenda um novo sistema de sons, tons e escrita ao mesmo tempo.

Um professor de idiomas em Salvador explica que o maior desafio do mandarim é a falta de pontos de apoio. No inglês, um aluno pode adivinhar o significado de "hospital" ou "animal". No mandarim, "医院" (yīyuàn) não dá pistas. Cada caractere precisa ser memorizado.

Além disso, a gramática do mandarim é simples em alguns aspectos, não há conjugação verbal, mas a ordem das palavras e os partículas de tempo e lugar exigem atenção. Um falante de português precisa reprogramar a forma de pensar em frases.

Outro ponto é a imersão. O inglês está presente em filmes, séries, músicas e redes sociais. O mandarim, menos acessível, exige esforço extra para encontrar material autêntico. Um aluno precisa de mais tempo para ouvir, ler e praticar.

Isso não quer dizer que o mandarim seja impossível, mas que o caminho é mais longo. O inglês, por estar mais presente no dia a dia, permite progresso mais rápido mesmo com pouca prática formal.

  • O mandarim exige domínio de tons, escrita e sons completamente novos
  • O inglês compartilha vocabulário e estrutura com o português
  • Idiomas como espanhol e italiano são mais fáceis que o inglês para brasileiros
  • O tempo necessário para aprender mandarim é muito maior que para o inglês
  • Imersão em inglês é mais fácil de conseguir no cotidiano

Escolha um idioma que você já tenha contato, como o espanhol ou o inglês, e compare um parágrafo curto com a versão em português. Veja quantas palavras são parecidas. Depois, tente o mesmo com um texto em mandarim. Perceba a diferença no esforço de decodificação. Esse exercício mostra, na prática, onde está o maior desafio.

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